feathers and wolves
para falar de amor, 2024lobos, gansos e cisnes sobre fundo alaranjado, em molduras antigas suspensas por cordas.

crio do que me subtraio
universos para outros · spfw n61 · 16.10.2026
alforje
hisha × f. romão
cinquenta metros de algodão cru, suspensos e tensionados sobre o carpete avermelhado da hisha.
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foto pedro giannini
universos · edifício cotonifício · 2026
para falar de amor ii
o sótão
logo antes do céu, existe pele, matéria sensível e tensão.
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obras · série · 2021
facetas
surgiram enquanto eu apagava uma pintura. cada tira é um verso, fragmento, som.
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fernanda romão investiga a dimensão sensível da experiência humana.
cria retratos e figuras que operam como espelhos psíquicos. sua pintura revela zonas da experiência emocional que ainda não possuem linguagem racional.
usa a arte de maneira visceral, com obras carregadas de simbolismo, de feminino e de animais, que buscam explorar a complexidade dos sentimentos humanos.
pintura · corpo · instalação · são paulo

algumas obras pedem para ser habitadas. aqui estão os mundos que criei inteiros, da primeira ideia ao último fio: salas, bailes, instalações que mudam ao longo das semanas, com pintura, tecido, som, escrita e corpo. o espaço inóspito tinha que ser a obra.

logo antes do céu, existe pele, matéria sensível e tensão.
foi o único espaço que não foi escolhido, e ao fim, o único que permaneceu inteiro.
quis materializar ali não uma série minha, não um personagem, não uma figura, mas o que eu tenho de mais profundo. daí veio a suspensão, o espaço, o vazio, a forma, a falta de forma, o dentro, o avesso, a pele, a carne, o cerne. ganchos para ardilosamente suspender e tensionar o corpo. e o vermelho, cor de barro, em degradê, mais vermelho na ponta.
eu esperava voltar ao lugar onde comecei a pintar, um lugar de muita dor, muito denso, muito preto, pesado. a sala pronta me surpreendeu: era bonita, etérea, um lugar onde eu ainda não tinha arte.
convidei as pessoas a escolher notas num teclado, para entender se era aquilo que eu sentia. muitas escolheram as mais graves, as mais profundas.
um céu de quases.
em outubro, a instalação recebeu outra obra. pintei para a hisha uma obra nova e a trouxe de volta para junto dela: uma sobre a outra, integradas. tinha a parte aérea, mas também tinha o terreno, tinha o céu, mas também tinha a dor das coisas.
pessoas em treze dias. para falar de amor, exposição coletiva no noviciado, 2024 — com obras e participação na curadoria de f. romão.

murais, tecidos, portas, lousas. quando a pintura ocupa o edifício, o corpo de quem passa vira parte da obra.
lobos, gansos e cisnes sobre fundo alaranjado, em molduras antigas suspensas por cordas.
sala escura com um lago no chão. a luz vem só das cúpulas e do que a água devolve.
uma marca, uma casa, uma festa, um desfile. eu digo não para muita coisa, porque o meu trabalho não é uma estética. quando digo sim, não é um serviço de pintura. é um terreno para os meus cavalos correrem. cenografia, direção artística, instalação e encomenda, sempre na minha linguagem.

foto pedro giannini
uma pintura dessa proporção não é pincelada, é corpo.
quando veio o convite da hisha, eu sabia que não era um serviço de pintura. era um terreno para os meus cavalos correrem com a hisha.
o primeiro convite era pintar o carpete da passarela. mas a minha pintura precisa de fluidez, de água, da tinta escorrendo. chamei o time ao ateliê para ver o algodão cru, e a instalação de para falar de amor estava lá, toda tensionada. foi ali que o thiago almeida, o cenógrafo, propôs: telas suspensas. o formato veio da instalação. a obra seria outra, nova, feita para a hisha.
a gi me deu liberdade de criação desde o começo. quando li o poema dela, eu me senti dentro dele: era exatamente a força e o sonho guardado. a playlist da coleção no volume máximo virou movimento na ponta do pincel. foi dançar, cantar, chorar, correr de um lado pro outro.
esses cavalos ferozes estavam precisando sair do céu, tomar chão. o vermelho, que em mim sempre foi carne e cerne, ganhou ali outra possibilidade: terra, barro. a dor do bordado, a insistência, o cuidado das bordadeiras.
o que mais me encantou não foi a fashion week. foi a experiência com a hisha, de construção. o trabalho de arte muitas vezes é muito solitário. dessa vez foi como se fossem dois cavalos cavalgando que, de repente, se encontraram lado a lado numa estrada. ver tudo pronto foi como se fosse o mundo da hisha acontecendo.
vídeo oficial · canal spfw
assistir ao desfile
hisha - spfw imaginários
sou uma parte pequena dentro dessa imensidão. só há de caber nesse alforje.
tudo começa com algo que você traz: uma imagem, uma pessoa, um animal, uma memória.
escolhemos a tela e a técnica: óleo sobre tela, com ou sem iluminação led traseira, moldura e acabamentos.
o valor é calculado pela área da tela e pela técnica escolhida. você recebe a proposta antes de qualquer pincelada.
a obra é pintada a partir da sua referência, na minha linguagem. não é uma cópia: é um encontro.



começaram como espelhos. depois vieram os animais, a ferrugem, a pele que descama, o corpo em cena. algumas ganham luz por trás e mudam de humor quando a sala escurece.


cada tira é um verso, fragmento, som.
as facetas surgiram enquanto eu apagava uma pintura com linhas escuras. nessa tentativa encontrei uma linguagem própria.
facetas e blur são as séries que deram início à minha pesquisa artística.
nasceste de um erro, não és a figura idealizadamas rasgar-te por dentro foi lhe multiplicarsurgiu você: minha faceta inesperadadividi o ser, sou mais leverenasce em mim um diálogo que não cessa,cada tira é um verso,fragmento, som.mirar-lhes, por vezes,é a única forma de ser uma.
em ordem de criação. cada série nasce do que a anterior deixou de fora.


a sede pelo concreto, enquanto somos movimento.
o começo de uma busca incessante por identidade fora dos padrões. nasceu durante a pandemia, quando nos questionamos profundamente e nos tornamos, muitas vezes, uma incógnita.
uma imagem que não é estática, mas que se transforma continuamente. o blur provoca quem olha a criar a sua própria imagem.


olha para dentro, ou viro-te do avesso.
sem formação ou prática com pintura, as descobertas aconteciam ao tentar amenizar erros.
cada uma dessas mulheres foi um modo de me ver, espelhos antes de serem figuras. por isso considero autorretratos todas as mulheres que já pintei.



o cavalo, o selvagem que pulsa. a divindade que nos vê.
um autorretrato. um espaço entre o mundo íntimo de ideias e pensamentos que já se desalinham com o que habita fora deste universo.
o lobo representa, por vezes, o coadjuvante, uma figura observadora. o cavalo, o selvagem que pulsa, a divindade que nos vê.



a valorização do que está fora de foco.
o renascimento e a circularidade por meio de descamar o ser. instalações, pinturas e poemas provocam reflexões sobre as versões do ser e sua fragmentação: a ruptura do plano, a descoberta de camadas.
exposta em o tempo das coisas (2022), irrealidades visíveis (2023) e casa cor 2024.



a emergência de descamar em contorno, a partir de dentro.
o instante em que o corpo deixa de representar e começa a admitir o que é.


um jardim habitado, performado, pintado.
marca o momento em que começo a integrar performance, corpo e pintura como um único campo de investigação.
não se trata mais de investigar quem se é, mas de exercer esse ser, de colocá-lo em cena e criar a partir dele.


corpo-sombra, corpo-luz.
a série surge após jardim dos sonhos, expandindo a pesquisa do gesto performático para a materialidade da luz.
as obras investigam presença e ausência por meio do contraste entre corpo-sombra e corpo-luz.


o amor como força estrutural.
as imagens passaram a operar como síntese da percepção distorcida que temos do amor, quase sempre ligado à fragilidade.
a série inverte essa leitura: o amor como força que envolve instinto, selvageria, perdão, conflito, entrega e reconstrução.

pinturas no ateliê. algumas recebem iluminação led traseira: a luz atravessa a tela e a imagem muda. medidas, condições e o catálogo completo chegam pelo whatsapp, numa conversa direta.

ex-atleta, autodidata. fernanda começou a pintar em 2020, durante a pandemia, sem formação e sem prática anterior. as descobertas vinham do erro: tentar amenizá-lo virou método.
desde então, a pintura atravessa o corpo e o espaço. óleo, acrílica, ferrugem, resina, luz, maçarico, espuma expansiva, lousas de um edifício antigo. cada material é uma camada que se retira até restar o que é.
vive e trabalha em são paulo.




o ateliê, são paulo
embalada à mão no ateliê, protegida para viajar.
um bilhete escrito à mão pela artista, sobre a obra e sobre quem a recebe.
certificado de autenticidade assinado, com título, série, técnica e medidas.
orientações de cuidado e, nas obras com luz, a instalação da iluminação led.
obras no ateliê, medidas e condições, enviados pessoalmente.
f@fernandaromao.com